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No mundo globalizado e informatizado em que vivemos, a busca por novidades é contínua. É esperado que o novo seja sempre melhor que a versão anterior. No entanto na Medicina isto nem sempre é verdade.
Técnicas e medicamentos usados há décadas podem ser tão ou mais eficazes que os atuais, quando bem indicados. Antigo não é necessariamente sinônimo de velho ou obsoleto. Isto tem sido especialmente verdadeiro para o lítio, medicamento utilizado há mais de 50 anos no tratamento do transtorno bipolar.
O transtorno bipolar, antes denominado psicose maníaco-depressiva, caracteriza-se por mudanças bruscas de humor, que oscila entre fases de depressão, euforia ou agitação e períodos de normalidade. Um maior conhecimento sobre a doença e novas possibilidades terapêuticas têm proporcionado aos pacientes mais qualidade de vida e menos incapacitação.
Apesar da idade, o lítio continua em ótima forma. Está presente em todas as diretrizes internacionais de tratamento do transtorno. No entanto, em países como Estados Unidos, França e Itália seu uso vem diminuindo. Com intuito de identificar a preferência de medicamentos prescritos para o transtorno bipolar no Brasil e a impressão dos médicos sobre o lítio, foi realizada uma pesquisa com 820 psiquiatras de todas as regiões do país. Os resultados mostraram que 76% deles preferem o lítio como primeira opção na prevenção de recaídas do transtorno, 56,1% no tratamento da fase de mania (euforia) e 43,6% na fase depressiva. É a primeira vez que uma pesquisa deste gênero é desenvolvida no Brasil.
O estudo levou três anos para ser concluído e foi realizado como projeto de Mestrado da Dra. Ana Taveira, tendo como professor orientador o Dr. Ricardo A. Moreno, especialistas em doenças do humor, do Grupo de Estudos de Doenças Afetivas (GRUDA) do Instituto de Psiquiatria (IPq) do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo. O tema foi desenvolvido a partir do Programa de Prevenção de Recaídas de Bipolares, projeto interdisciplinar realizado em parceria do IPq com a Faculdade de Medicina e ambulatórios de saúde mental de São José do Rio Preto e a Associação Brasileira de Familiares, Amigos e Portadores de Transtornos Afetivos (ABRATA). Segundo Dra. Ana Taveira os objetivos do estudo são, entre outros, promoverem mudanças nas políticas de saúde mental, estimular a educação continuada dos profissionais da rede e estimular o uso do lítio, considerando ser um medicamento eficaz, de baixo custo e disponível na rede SUS.
Dra. Ana Taveira
psiquiatra clínica e mestre em psiquiatria pela USP
CRM 102.617
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